Produção de veículos no Brasil despenca 99% em abril

Com praticamente todas as fábricas fechadas, a produção nacional de veículos caiu 99,3 % no último mês de abril, na comparação com o mesmo período de 2019.

O número divulgado nesta sexta-feira (8) pela associação das fabricantes, a , é o pior da história e mostra o impacto da pandemia do coronavírus na indústria, que recomeçou as atividades de forma gradual, com a reabertura de algumas unidades nos últimos 15 dias (leia mais ao fim da reportagem).

As montadoras também aguardam uma resposta do governo para obterem empréstimos juntos aos bancos para todo o setor, incluindo fornecedores de peças e concessionários, pagarem funcionários e cumprirem outras obrigações enquanto a retomada não acontece.

Um grupo negocia junto ao Ministério da Economia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e bancos privados.

A ideia é que as fabricantes ofereçam R$ 25 bilhões em créditos tributários que devem receber do governo como garantia para o BNDES que, por sua vez, atuará como uma espécie de fiador junto aos bancos. “Não se trata de subsídios’, ressaltou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

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Outra providência do setor foi fechar acordos de redução de jornada ou de suspensão temporária de contratos, com diminuição de salários.

Moraes elogiou as medidas tomadas pelo governo federal através da MP 936, da qual a Anfavea participou com sugestões, que permitiu flexibilizar os contratos de trabalho durante a pandemia.

Ele também agradeceu aos sindicatos pelas negociações com as fabricantes. Segundo levantamento do G1, 79,2 mil funcionários (74% dos empregados da indústria) foram envolvidos em algum tipo de medida anunciada por 13 fabricantes de carros, caminhões e ônibus até 27 de abril.

“Estamos segurando os empregos por enquanto, utilizando todas as ferramentas disponíveis”, disse o presidente da entidade.

Em relação a abril de 2019, o número de trabalhadores empregados na indústria caiu 3,7% em 2020. Em comparação a março, a foi de 0,3%, mantendo-se praticamente estável. Atualmente são 125.348 pessoas empregadas no setor.

Tombo histórico

No último mês, foram produzidos 1.847 automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), caminhões e ônibus, contra 267.561 no mesmo período no ano passado.

“É o pior resultado da série histórica da indústria automobilística desde 1957”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

A queda também foi de 99% em comparação com março: o fechamento das fábricas, como medida preventiva contra a pandemia, começou no fim daquele mês. No acumulado do ano, o recuo foi menor, de 39,1%.

Vendas

O coronavírus também causou uma queda de 76% nos licenciamentos de veículos, que foram de 231.936 unidades em abril de 2019 para 55.735 em 2020. Em comparação a março, com 163.625, a redução foi de 65,9%.

De acordo com a entidade, o Brasil é o 6º país com maior queda no número de licenciamentos no mundo comparando os meses de abril – desconsiderando a China, que não divulgou números.

Em primeiro lugar está a Índia, com 100% de queda, seguida da Itália, com 98%, e Espanha, com 96%. Em quarto lugar está a França, com redução de 89% e, em quinto, a Argentina, com 88%.

Em entrevista ao G1, na última quarta-feira (6), o presidente da federação dos concessionários, a Fenabrave, defendeu a reabertura de lojas com medidas que evitem aglomerações.

Segundo Alarico Assumpção, presidente da federação, 30% das concessionárias podem “quebrar” em 15 dias, se não puderem voltar a funcionar. O setor emprega 315 mil pessoas em 7.300 lojas.

Exportações

A exportação de veículos em abril teve seu pior resultado em 23 anos, segundo o presidente da Anfavea. A queda foi de 79,3% em relação ao mesmo mês de 2019 – com 7.212 unidades, contra 34.905.

Quando comparadas com o mês anterior, março, as exportações caíram 76,7%. Já no acumulado, a redução foi de 31%.

Para a entidade, os números já eram esperados não apenas pelo impacto da Covid-19 no Brasil, mas também nos principais mercados importadores de veículos brasileiros. A Argentina, além da crise econômica enfrentada há algum tempo, tem as maiores medidas restritivas da região no combate ao coronavírus.

Produção retomada

Algumas fabricantes já retomaram as atividades, mesmo que ainda de forma gradual. Segundo a Anfavea, desde 13 de abril, 8 fábricas e 30 mil funcionários já voltaram ao trabalho. Atualmente, 55 fábricas e 95 mil funcionários permanecem parados.

No último dia 27 de abril, Scania, em São Bernardo do Campo (SP), e a divisão de caminhões e ônibus da Volkswagen, em Resende (RJ), retomaram suas produções.

Em Curitiba (PR), a divisão de caminhões da Volvo também já voltou a produzir no último dia 4, mas ainda com parte dos funcionários com contratos suspensos e parte com jornada reduzida. No mesmo dia, Renault e BMW reabriram suas linhas de produção em São José dos Pinhais (PR) e Araquari (SC), respectivamente.

A Mercedes-Benz caminhões, em São Bernardo do Campo, retomará as atividades na próxima segunda (11). A Volkswagen também planeja volta a produzir carros neste mês.

Indústria essencial não para

A indústria de bens e serviços sofre com o isolamento social, necessário para a contenção da pandemia do coronavírus. No entanto, setores de itens essenciais, como alimentos, da área de saúde e o agronegócio, bem como a cadeia de suprimentos e logística, estão funcionando e registrando bons números

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